Juíza e jornalistas reconhecem que a mulher ainda é vítima de discriminação na mídia

26.04.2016

Além da existência de leis, é preciso inserir o debate pelos direitos da mulher nas escolas. Essa foi uma das conclusões do seminário “A Mulher, A Mídia e o Poder no Brasil: um Olhar Compartilhado”, em que o papel da mulher foi analisado através dos estereótipos sexistas veiculados nos jornais ou nas peças publicitárias com o objetivo de alavancar a venda de um produto. Realizado nesta quarta-feira, dia 20, na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), o encontro teve a participação de quatro mulheres jornalistas, uma juíza e a mediação de um jornalista. A plateia foi predominantemente feminina.
 

Na abertura, a juíza auxiliar da Presidência Adriana Ramos de Mello destacou a reivindicação dos movimentos feministas para que ocorram mudanças no tratamento dispensado pela mídia à mulher. Segundo ela, a propaganda criou um perfil estereotipado da mulher, em que ela aparece como “brinde” de um produto, especificamente no caso das propagandas de cerveja. Outra luta desses movimentos é contra a desqualificação das vítimas de violência sexual.

 

“Exemplo disso foi o caso da Amanda Bueno, assassinada pelo companheiro na Baixada Fluminense e que foi apresentada na imprensa como dançarina de funk. Ser dançarina foi uma forma de desqualificá-la. Por isso, acredito que as jornalistas têm o dever de defender a mulher na imprensa”, disse a magistrada.

 

A jornalista Fernanda da Escóssia, professora da Escola de Comunicação da UFRJ, fez uma abordagem histórica da imprensa feminina. O primeiro jornal para esse público foi o “Espelho Diamantino”, fundado por um homem em 1827. Somente anos depois surgiram jornais criados por mulheres. Já no século 20, houve crescimento das publicações desse gênero, com a mulher passando a ocupar maior espaço na sociedade. A jornalista comentou a manifestação sexista, que foi reproduzida pela imprensa durante a sessão realizada no último domingo, na Câmara Federal, quando uma deputada foi alvo de seus pares, ao ser chamada de “delícia”, após proferir o seu voto. Ela lembrou que existe, hoje, preocupação crescente com as questões femininas, pincipalmente em sites eblogs que tratam de temas inovadores para as mulheres, inclusive segmentados por faixas etárias.

 

Para Sônia Azevedo, diretora executiva de Desenvolvimento do Grupo In Press (agência de comunicação), ainda é reduzido o número de mulheres em cargos de destaque no Legislativo e no Judiciário. A mesma situação existe nas redações, mesmo onde o contingente feminino é maior do que o masculino. Os homens, disse ela, acabam ocupando cargos de chefia em detrimento da competência apresentada pela mulher.

 

A jornalista Flávia de Oliveira, do jornal “O Globo”, levantou a questão da desigualdade existente entre as próprias mulheres. Ela lembrou que a grande maioria das negras e pobres, por receber tratamento subalterno da sociedade, que privilegia as brancas, reivindica uma pauta própria na defesa dos seus direitos. “Há uma identidade comum, mas também diferença no debate dos direitos. Somos todas mulheres, mas a condição econômica e a cor da pele fazem a diferença neste debate”, pontuou Flávia de Oliveira.

 

Com atuação na área de segurança pública do jornal “O Globo”, a jornalista Vera Araújo relatou casos de violência contra as mulheres. A maioria é vítima de seus próprios companheiros e tem medo de procurar uma delegacia de polícia para fazer queixa. Um depoimento que emocionou a plateia foi feito por uma mulher torturada e lesionada pelo ex-companheiro por não aceitar a separação. Durante dois dias, ela foi submetida à série de torturas física e psicológica pelo ex-companheiro, que lhe arrancou dois dedos da mão direita. Até que ela conseguiu fazer contato com um parente, e o ex-companheiro acabou preso e condenado a 15 anos de prisão.

 

O debate foi mediado pelo jornalista Mauro Ventura, diretor-geral de Comunicação e de Difusão do Conhecimento (DGCOM) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Ele participou da organização do encontro com a juíza Adriana Ramos de Mello, que preside o Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero, e o desembargador Fernando Foch, presidente do Fórum Permanente de Direito à Informação e de Política de Comunicação Social do Poder Judiciário.

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